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20/04/2017

EX-PRESIDENTE DA CÂMARA DE RIBEIRÃO PRETO DIZ QUE É FALSA ASSINATURA EM ATESTADO DAS OBRAS DE AMPLIAÇÃO DO PRÉDIO

O ex-presidente da Câmara de Ribeirão Preto (SP) Walter Gomes (PTB) disse nesta quarta-feira (19) que é falsa a assinatura atribuída a ele em documento de inspeção da obra de ampliação da sede do Legislativo. Ele também negou ter autorizado aditivos ao contrato inicial do projeto, no valor de R$ 6,8 milhões.



A denúncia havia sido feita pelo engenheiro Clodoaldo Saad Almeida, fiscal da obra na gestão passada, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a suspeita de irregularidades e superfaturamento na construção do novo prédio.



Gomes também disse ao presidente da CPI, Otoniel Lima (PRB), que pagou somente R$ 4,8 milhões à Cedro Construtora e Incorporadora até setembro do ano passado, quando foi afastado do cargo pela Justiça, após a primeira fase da Operação Sevandija.



Entretanto, a empreiteira já recebeu R$ 6,4 milhões, cerca de 94% do valor total do contrato. Com base nessas informações, a CPI tentará identificar, agora, quem autorizou os pagamentos restantes, após o afastamento do ex-presidente.



“A gente vai ter que confrontar isso, porque é um fato novo. A gente sabe que, para se defender, um joga em cima do outro, esse jogo é normal. A oitiva do Walter Gomes foi o que a gente esperava, foi importante para elucidar alguns pontos”, disse Lima.

Os vereadores Isaac Antunes (PR), Otoniel Lima (PRB), Maurício da Vila Abranches (PTB) e Lincoln Fernandes (PDT)



Depoimento

Preso desde dezembro na penitenciária II de Tremembé (SP) por suspeita de corrupção, Gomes foi ouvido apenas pelo presidente da CPI - ele se recusou a receber os outros membros da comissão, que viajaram de Ribeirão para o depoimento.

Ao lado do advogado e de um agente prisional, em uma sala no setor administrativo, Gomes conversou por 30 minutos com Lima. O ex-presidente garantiu que não assinou o documento que atesta a qualidade técnica de uma das empresas envolvidas.



“Ele disse: ‘Olha, Otoniel, eu já sei do que se trata, já vi o documento pela imprensa, e posso garantir que essa assinatura não é minha. Se tem alguma assinatura nesse papel, não fui eu que assinei’. Ele falou isso categoricamente e naturalmente”, contou o vereador.



O presidente da CPI pediu então que Gomes assinasse ao lado da assinatura atribuída a ele. O documento será enviado para perícia grafotécnica, que deverá apurar a veracidade do documento, que contém o brasão da Prefeitura de Ribeirão.



O ex-presidente da Câmara também disse que não nunca teve contato com os proprietários das empresas responsáveis pela obra e que só autorizou o pagamento de R$ 4,8 milhões, até setembro do ano passado.



“Ele falou ‘olha, o que eu contratei foram R$ 6,8 milhões e eles tinham que entregar tudo. Mas, várias vezes eles pediram para mim aditivos, aditivos. Eu nunca quis fazer aditivo e a construtora alegou que, se não fizesse aditivo, iria parar, simplesmente iria parar a obra”, afirmou Lima.



O presidente da CPI explicou que, apesar de se tratar de uma conversa informal, as informações prestadas por Gomes serão reunidas em uma ata, que será apresentada ao advogado do ex-presidente da Câmara. Em seguida, o documento passará a integrar as provas da CPI.



Obra investigada

Com recursos da prefeitura endividada, a obra de ampliação da Câmara teve início em 2015 na gestão do ex-presidente Walter Gomes, preso por corrupção na Operação Sevandija, e chegou a ser paralisada por determinação da Justiça.

O prédio para abrigar os gabinetes dos 27 vereadores e mais a TV Câmara foi orçado em R$ 6,8 milhões, e estava previsto para ser concluído em agosto de 2016. Entretanto, após um pedido de aditamento do contrato, a obra foi suspensa pela atual presidência da Casa.

Segundo o presidente do Legislativo, Rodrigo Simões (PDT), as alterações foram acertadas pela construtora diretamente com o ex-presidente, sem a assinatura de adendo, o que levantou a suspeita de superfaturamento.



Um documento entregue aos vereadores aponta que em 2015 Gomes atestou que todos os serviços foram executados de acordo com o prazo concedido, em conformidade com as normas técnicas, e que a obra tinha plenas condições de uso para o fim que se destina.



De acordo com o engenheiro Clodoaldo Saad Almeida, que atuou como fiscal da obra na gestão passada, o atestado de capacidade técnica emitido pela Câmara foi redigido em um lauda que leva o timbre da Prefeitura de Ribeirão e da Secretaria de Obras, o que é irregular.



A CPI aguarda a elaboração de um laudo técnico pela USP de São Carlos (SP) sobre o andamento da obra, que segue paralisada.

Fonte: g1.globo.com

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