Nossa Capa


Publicidade





Esporte

Voltar | imprimir

20/04/2017

CAPITÃO DO SÃO PAULO CONTESTA FAIR-PLAY DE RODRIGO CAIO EM CLÁSSICO

Classificada como um "ato nobre" pelo diretor de futebol do São Paulo, José Jacobson, a atitude do zagueiro Rodrigo Caio no clássico do último domingo, dia 16, que avisou o árbitro sobre um erro que resultaria na suspensão do atacante Jô, do Corinthians, não recebeu a mesma aceitação dentro do elenco.

Em entrevista coletiva segunda-feira, o zagueiro Maicon, capitão do time, demonstrou respeito à atitude do companheiro, porém deixou claro que não faria o mesmo que o colega. "Eu acho que é melhor a mãe dele [Jô] chorando do que a minha. Prefiro a mãe dos meus adversários chorando do que a minha", afirmou.

O lance que gerou grande repercussão nacional aconteceu aos 39 minutos do primeiro tempo. Jô tentou alcançar um passe longo e o goleiro Renan Ribeiro, do São Paulo, saiu para fazer a defesa, protegido por Rodrigo Caio. Após ver o goleiro reclamar de um pisão na perna, o árbitro Luiz Flávio de Oliveira mostrou cartão amarelo ao atacante.

Seria o seu terceiro no torneio, o que o deixaria suspenso do jogo de volta, que será disputado domingo, dia 23, no Itaquerão. Mas o zagueiro são-paulino disse a verdade para o juiz: fora ele o autor do pisão involuntário em Renan. O cartão foi anulado.

Contestando
"Se foi certo ou não a consciência está com ele, e temos que apoiar. Estou do lado dele. Se achou que foi certo ter feito isso, ele fez. Da minha parte não posso dizer porque não aconteceu comigo. Não sei no calor do jogo o que aconteceria, então não tem como eu responder", disse o zagueiro Maicon.

Principal torcida organizada do São Paulo, a Independente, apoiou o capitão são-paulino e disse que "não existe generosidade com quem nunca irá nos dar a mão".

A Folha de São Paulo apurou que alguns membros da diretoria também não gostaram da atitude de Rodrigo Caio, alegando que não receberiam o mesmo tratamento se a situação fosse inversa. Jacobson, no entanto, exaltou o atleta.

"Foi um gesto que é um marco divisor do futebol brasileiro. Ele não é um herói, mas foi um ato nobre que o futebol não está acostumado a ver", disse à reportagem.

Redes Sociais
A honestidade fez o atleta virar um dos principais assuntos em redes sociais. Em 24 horas, o seu nome foi citado 26 mil vezes no Twitter. Após a partida, porém, o jogador se irritou com perguntas sobre o ocorrido. "Eu não fiz nada de mais. Apenas disse ao árbitro que o Jô não tinha pisado no Renan", afirmou o defensor, mostrando impaciência.

Pela irritação com as perguntas, acreditou-se que ele havia sido cobrado pelos companheiros e pela comissão técnica no vestiário. Maicon, no entanto, disse que nada disso aconteceu.

"Não teve nada no vestiário, não adianta tentar achar algo que não aconteceu. A cobrança tem que ter, mas essa polêmica ou briga no vestiário não teve", afirmou.

Já o treinador Rogério Ceni não deu muita atenção ao fato e preferiu elogiar seu comandado após ser derrotado por 2 a 0 dentro de casa. "Ele foi um gentleman [cavalheiro, em inglês]. Teve uma atitude que terá de ser elogiada por vocês [jornalistas]", afirmou, sem dizer se teria a mesma atitude se ainda fosse jogador. "Eu já parei. Não vou responder isso."

Fair Play
Desde 1987, a Fifa premia jogadores, clubes e seleções por gestos que promovem o espírito esportivo no futebol.

O último homenageado foi o Atlético Nacional da Colômbia, em 2016, após pedir à Conmebol que reconhecesse a Chapecoense como campeã da Copa Sul-Americana. O time foi vítima de um acidente aéreo que deixou 71 mortos.

Voltar | Indique para um amigo | imprimir